Vamos conhecer um pouco da cultura austríaca? Separei alguns pontos interessantes e comparei alguns com a nossa cultura!

 

Pontualidade

Esta é uma característica comum aos germânicos: na Alemanha também é assim, na Suíça e aqui não é diferente.

O jantar foi marcado às 19 horas? Esteja lá exatamente às 19 horas nem que isso signifique sair um pouco mais cedo de casa. Putz, você ficou com receio de se atrasar, saiu com tanta antecedência que chegou 15 minutos antes do horário combinado? É, meu amigo(a), dê uma voltinha de 13 minutos no parque – é bem provável que tenha um parque próximo – e pronto. Só por você chegar pontualmente, um sorriso do anfitrião já está garantido.

Isso não acontece somente entre amigos e encontros em geral, acontece também com os transportes públicos. O trem/ônibus/tram/metrô está marcado para sair às 15:18? Você tem que estar dentro do transporte neste horário. Se você chegar um minuto atrasado, não existe o chororô: perdeu o transporte!

Chegou atrasado para a Ópera? Perdeu… Deu para perceber a importância de ser pontual, né?

Tiram os sapatos

Este é um ponto da cultura austríaca que eu já adotei aqui em casa há muito tempo: sempre tiro os sapatos antes de entrar em casa! Em todas as casas há um espaço destinado aos sapatos no hall de entrada. Ninguém usa o „sapato da rua“ dentro de casa porque eles não acham higiênico. É um sapato sujo, que pisou em Deus sabe o quê pelas ruas e parques da cidade.

Existe um sapato próprio para lugares internos que eles chamam de “sapato de casa” (Hausschuhe) e é bem parecido com pantufa. Às vezes eles têm até mais de um par para que eles possam emprestar para as visitas e outras vezes, os próprios convidados levam o sapato de casa dentro de uma bolsa ou sacola. Se o encontro em casa foi maior do que o esperado e não tem sapato de casa para todo mundo, as pessoas ficam de meias sem qualquer sinal de constrangimento! Ah, outro motivo para usar as pantufas dentro de casa: elas não fazem barulho. O vizinho de baixo agradece

Historinha: no meu primeiro Ano Novo por aqui, Schatz e eu fomos convidados para comemorar na casa de amigos. Fui arrumada, com salto e tudo, como iria no Brasil. Cheguei lá, tive que tirar o salto e usar essas pantufas. Acabei de imaginar blogueira de moda visitando um lar austríaco. Os looks do dia certamente seriam do joelho para cima.

cultura austríaca

Muito formais. Como cumprimentar?

Os austríacos são muito formais ao conhecer uma pessoa. Eles nunca dão dois beijinhos – muito menos três! Não é algo ofensivo – especialmente se eles souberem que você é brasileiro. Nós somos mais do toque e isso todo mundo vai entender -, mas se você não quiser passar por algum tipo de constrangimento, um aperto de mão já será suficiente. Assim você nunca erra!

Se a pessoa for menos formal, ela vai te dar um abraço (muito raro em um primeiro contato) ou vir na sua direção para te dar beijo no rosto.
Dica: sempre opte pelo aperto de mão. Você saber a hora de passar para o abraço com beijinho (já aviso que vai demorar mais do que você espera, tá? Não é nada pessoal! Eles são assim mesmo).

Levam uma lembrancinha

Quando for convidado para jantar na casa de alguém, é educado levar uma lembrancinha. O mais comum (e todo mundo adora) é levar uma garrafa de vinho. Também é comum levar flores, mas se você quiser um tipo específico, aconselho se informar direitinho na floricultura porque se você der cravos vermelhos, você estará mexendo com política e há tipos de flores usadas somente em velórios (lírios, por exemplo). Então, dar flores merece um cuidado especial. Se você estiver vindo do Brasil, também vale uma lembrança típica. Acho que uma cachaça para fazer caipirruinha é uma boa escolha! Até porque uma „Velho Barreiro“ que no Brasil custa menos de R$10, aqui custa um pouco mais de €15. Pode parecer pouco, mas é valor suficiente para comprar um vinho de qualidade. Trocando em miúdos: cachaça aqui é bem mais cara!
Se o jantar for naquele velho esquema de cada-um-paga-o-seu, não precisa levar lembrancinha para quem organizou o encontro.

Oi, tudo bem?

Quando eles perguntam “Tudo bem?”, eles realmente querem saber como está sua vida. Se você perguntar “Wie geht’s?” em uma má fase da pessoa, ela vai dizer: “nossa, que bom que você perguntou! Não estou bem não… Cheguei em casa, olhei para o meu dogue alemão e ele estava com uma pena na boca. Logo percebi que ele comeu meu papagaio, cara! Meu papagaio! Ah não… Como ele pôde fazer isso? POR QUE? PORRRRRRRRRRRRRR QUEEEEEEEEE?“. Bem diferente do Brasil, onde nosso “oi” já vem com um “tudo bem?” no pacote e a resposta é sempre: “tudo bem!”

Quer água sem gás?

Se você estiver em algum restaurante, cafeteria ou lanchonete e pedir por água, o mais comum eles trazerem com gás. Você sempre tem que falar com todas as letras que quer água sem gás e não se espante: água sem gás é também conhecida como „água da torneira“ aqui na Áustria. Pode beber tranquilo(a) porque ela é famosa pela ótima qualidade (vem direto dos alpes). Pode ser que você estranhe um pouco o sabor, principalmente se for sua primeira viagem à Europa.

Curiosidade: na academia que eu frequentava não havia bebedouro. Eu tinha que pegar água da torneira do banheiro… Demorei bastante para me acostumar com isso!

Segunda curiosidade: sempre que me lembro, c

Dinheiro x cartão de débito/crédito

Nós temos costume de andar praticamente sem dinheiro na carteira e pagar até balinha no débito, correto? Aqui é importante ter dinheiro vivo, pelo menos um pouco, na carteira. Em Viena ainda existem lugares que aceitam somente dinheiro vivo! É sempre bom perguntar ao garçom ou dar uma olhada no cardápio para ver se o restaurante aceita cartão. Caso você esteja sem dinheiro em espécie, há uma solução simples: enquanto você sai para sacar dinheiro, a pessoa que estiver com você continua no restaurante até você voltar. Caso você esteja sozinho, é bem provável que você tenha que deixar algo como uma garantia de que você vai voltar e quitar a conta.

Não é raro se deparar com situações do dia-a-dia em que você vai pensar “putz, antes de fazer tal coisa tenho que passar no banco para tirar dinheiro”. Quando você estiver em Viena, repare ao redor: o dinheiro é muito mais utilizado do que cartão de débito ou crédito.

À mesa

Ele sempre brindam antes de tomar alguma bebida alcoólica. Pode ser em um almoço com os amigos ou um jantar de negócios: qualquer encontro com bebida alcoólica, envolve um brinde. Eles podem estar com a maior sede do mundo, mas eles não dão um gole na bebida enquanto todo mundo não tiver brindado. Na hora do brinde ou eles falarão Prost ou Zum Wohl, mas isso é somente uma curiosidade. O importante mesmo é um outro costume: olhar nos olhos de cada pessoa com quem você for brindar.

Ao comer não tem muita novidade. É como no Brasil: espere o anfitrião começar a comer para você, como convidado, começar também.

Dica: sempre bater os copos olhando no olho de cada pessoa presente – a não ser que a mesa seja muito grande: aí você não precisa bater os copos. Basta apenas fazer o movimento e olhar no olho de cada pessoa. Não fazer isso é considerado rude!

Austríacos são grosseiros?

Eles não têm papas na língua. Falam o que querem sem se preocupar se o que foi dito terá impacto na vida do outro (críticas, por exemplo). Por outro lado, enquanto nós, brasileiros, temos dificuldade em falar “não” ou algo que possa ofender a outra pessoa; os austríacos não têm esta dificuldade, então é uma atitude que pode ser vista como grosseira mesmo sem ter sido. Nós interpretamos como grosseria por causa da diferença cultural, mas não se deixe enganar: às vezes é grosseria mesmo.
Acho que o ideal seria o meio termo, mas se eu tiver que escolher entre o jeito austríaco e o nosso, prefiro o nosso.

Como está a comida?

Em restaurante, o garçom vai te perguntar como está a comida. Ele espera mesmo que você diga se está muito salgada, sem gosto, passou do ponto ou se está boa. Meu amigo alemão, fala sempre o que ele acha e é algo normal por aqui. Eles falam bem tranquilos “olha, ficou muito salgado, ficou isso e aquilo”. Para eles, falar a verdade vai ajudar o restaurante a crescer. Se falar que estava bom, sendo que não estava, eles nunca vão saber onde está a falha deles. Achei o argumento válido, mas não consigo falar sempre o que eu acho porque não quero ser cruel com alguém… Quando eu falei a verdade (aconteceu só uma vez), eu fiz questão de elogiar alguma coisa. Ex: o macarrão estava duro, mas o molho estava muito saboroso! Foi o jeito que encontrei para falar a verdade sem sentir como se eu estivesse sendo cruel com a outra pessoa.

Sinal verde para atravessar

Imagina você querer atravessar uma rua na Áustria e ela está deserta, mas o sinal está vermelho para o pedestre. Acredita que mesmo em uma situação como essa da rua estar às moscas, sem passar nenhum carro, é muito comum o austríaco esperar o sinal ficar verde para atravessar a rua? Os adolescentes não esperam mais, mas quem está perto dos 30 – grupo no qual eu me encaixo – ou espera pelo sinal ou fica trocando olhares como quem diz: “está vermelho, eu sei, mas se você atravessar, eu atravesso. E aí? Vamos ou não?” Eu geralmente espero, mas se o sinal demorar a eternidade, confesso que acabo atravessando no vermelho mesmo (se policial pegar, leva multa). Exceção: quando tem crianças por perto. Aí eu espero o tempo que for pelo sinal verde. Tenho que dar exemplo, certo?

austríacos
O sinal verde em Viena agora é assim (no centro)!

Seguro para tudo

Austríaco tem mania de seguro. É seguro pra casa, seguro pessoal (se eu estiver andando de bicicleta e eu passo tão perto de um carro que arranha o retrovisor; se…, se…, se…), seguro para equipamento eletrônico, celulares… Só vou me espantar no dia que existir seguro para assegurar o próprio seguro. Tirando isso, nenhum me surpreende (já vi cada coisa nessa vida)!

Dia das mães e dos pais

No Brasil nós desejamos parabéns para todas as mães que nós conhecemos, não é? Mães, avós, tias, mães de amigos, primas e se o bichinho de estimação já teve cria, vai parabéns para ela também. Eu tenho uma amiga austríaca (que mora na Alemanha) muito próxima e ela tem um filho. No dia das mães eu mandei uma mensagem de parabéns e ela me liga falando que achou muito fofinha a minha mensagem. Conversa vai, conversa vem, descobri que aqui na Áustria só se deseja “Feliz dia das mães” para a sua própria mãe. O mesmo vale para o dia dos pais! Depois desse dia, a gente brinca que ela é minha mãe substituta.

Lojas 24h

Não existe! É difícil até encontrar mercado aberto no domingo ou feriado (vou fazer um post sobre isso)! E o pior é que Viena é uma cidade que dorme cedo e acorda tarde. Isso significa o seguinte: o comércio abre normalmente 9h/9:30 (há exceções) e fecha por volta das 18/19h. Às quartas-feiras algumas lojas ficam abertas até mais tarde (20h). No início pode ser complicado se acostumar com esses horários.

Noviça rebelde

Preparados para a bomba? É muuuuuito difícil encontrar um austríaco que já tenha visto este filme. Muitos nem sabem se “The Sound of Music” é de comer ou passar no cabelo. Os vienenses devem achar que é o concerto do momento na Ópera de Viena. Incrível quase ninguém conhecer, né? Tem passeios que foram feitos para turistas, não tem jeito. Aliás, Noviça Rebelde foi filmado em Salzburgo e há um tour para conhecer os lugares de gravação. Em tempo: eu morei em uma aldeia ao lado de Salzburgo por 8 meses. Foi lá que uma austríaca me contou que ninguém conhece o filme. Se quase nenhum “salzburguense” conhece, imagine o resto da Áustria!

cultura austríaca
Fonte

No médico

Quando você vai ao médico e ele te manda fazer alguns exames, nossa ida você não recebe nenhum resultado – até aí tudo bem – só que eles falam “ó, se os exames deram em alguma coisa, a gente manda uma carta ou liga para você”. Como controlar a ansiedade? hahahaha Depois de alguns dias sem ligação ou carta no correio, você se convence de que está saudável. Bem estranho, né?

 

Agora é a sua vez: eu me esqueci de algo que você se lembrou? Acrescente aqui nos comentários!